segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Série exibida no Fantástico sobre autismo

Assistindo a série exibida pelo Fantástico sobre o autismo, na Rede Globo, fiquei pensativa a respeito da abordagem da mesma. Pareceu-me um enfoque meramente informativo. 
Mediante o que analisei, gostaria de compartilhar com vocês sobre alguns aspectos e ainda, convidá-los a fazer uma leitura crítica e ao mesmo tempo, gostaria de expressar minha opinião.
Assisti aos episódios e percebi que o enfoque se fundamentou fortemente nos déficits (é claro que eles existem) porém, sabemos que precisamos ressaltar também potenciais e potenciais que não rotulem, como acontece muitas vezes nas pessoas com síndrome de Ásperger, altas habilidades/superdotação.
Outra questão que me chamou atenção foi o último episódio no qual se disse destacar a "inclusão". Considero que houve uma abordagem superficial mas que deixou bem explícito a concepção da série... (deixo pra você pode fazer suas análises!!!)
Sabemos da enorme dificuldade em "incluir", não somente pessoas com deficiência, mas também qualquer um que não esteja limitado ao padrão ideal de aluno. Podemos dizer que a escola não anda bem, essa triste afirmação se fundamenta em muitos fatores como por exemplo, formação de professores ainda ineficaz, sem a interlocução teoria/prática, número de alunos por sala, currículos que não expressam funcionalidade para a vida, prática pedagógica unificada, sem levar em consideração a heterogeneidade social, geográfica, étnica que quando depara com a presença de estilos diferenciados de aprendizagem muitas vezes representam obstáculos ao funcionamento escolar.
Infelizmente a série sobre autismo reforçou a ideia segregacionista das pessoas com deficiência. Penso que torna urgente, avançar nas discussões sobre a escolarização de todas as pessoas e em especial nesse momento, lembro das pessoas com autismo/transtornos globais do desenvolvimento - TGD, visto que é um grande desafio, mas não impossível.
Torna-se necessário ampliar as discussões para que transformemos a realidade existente e não apenas ser a favor ou contra a inserção de todos ao ambiente regular de ensino. Isso é um direito humano, direito de ir e vir, direito de escolher onde queremos estar, ficar e se desenvolver. 
Torna-se necessário investir verdadeiramente numa escola de qualidade, que atenda a todos com equidade e se estabeleça a justiça, o respeito e o reconhecimento entre todas as pessoas.
Tem-se usado essa fita colorida para representar o autismo. Sua descrição seria essa:
  • O quebra-cabeça ja diz tudo: Mistério, complexidade, dificuldade e autistas gostam de quebra-cabeças.
  • As diferentes cores e formas representam a diversidade das pessoas e das famílias convivendo com a desordem ou a trilogia autista (comportamentos repetitivos, comunicação, socialização).

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